romantismo

Por mais que eu goste de carros, tenha feito curso rápido de mecânica, troque chuveiro e botijão de gás, não seja lá das mulheres mais vaidosas que se pode encontrar no mundo e odeie frescuras de mulherzinhas, este post é para advogar a favor da gentileza, que tem gente por aí que chama de romantismo, mas em muitos contextos não sei bem diferenciar os significados.
São coisas que surgem lá-não-sei-quando e hoje não tem outro sentido que demonstrar preocupação com o outro, no caso, a mulher, no caso, eu… Imagine a complicação para uma dama da idade média subir naquelas carruagens, por mais confortáveis que fossem na época, toscas pro nosso período atual, com corpete e um monte de saiotes tendo, ainda, que segurar a porta… Abrir a porta para a moiçola era essencial. Do mesmo modo, descer daquelas coisas altas (afinal, eram tracionadas por cavalos) sem uma mãozinha para ajudar não deveria ser tarefa fácil.
Outras dessas necessidades medievais que hoje permanecem em um ou outro homem mais antenado nas regras de conquista da mulherada é a condução da senhora do lado do muro, enquanto estão andando na rua. Dizia meu finado professor de literatura, nos idos de melhor-não-falar-quando, que tal hábito surgiu em decorrência da mania que nossos ancestrais europeus tinham de atirar coisas pela janela (quando falo coisas, é toda sorte de coisas mesmo). Conhecendo o mínimo do movimento parabólico que descrevem os corpos lançados de certa altura, fica evidente que, perto do muro, as chances de a dama ser acertada pela carga de um penico diminuem consideravelmente.
O hábito de oferecer flores eu não sei de onde vem, mas ganhei algumas esta semana e fiquei contente o bastante para inspirar-me estas palavras… Gente, ser gentil derrete a maioria das mulheres… Claro que gentileza exagerada pode te deixar parecido com um garçom de restaurante chique, que é um saco. Não é aquela gentileza cheia de formalidades, não precisa propalar aos quatros ventos sua capacidade de ser gentil (qualquer indício de forçação de barra é um tiro certo no pé), é a sutileza de abrir a porta do carro de vez em quando, trocar o lado da calçada com a namorada (ou pretendente a), sem reproduzir toda essa historinha que contei aí em cima, é descer do ônibus na frente dela e dar a mão para ajudá-la, é oferecer flores vez ou outra, como se fossem uma lembrancinha, um carinho, não o espetáculo de entregar o maior buquê da floricultura no trabalho dela quando o maior número possível de pessoas estiver em volta.
Eu (ia dizer “Enquanto mulher”, mas é pretensão demais generalizar todas as mulheres à partir do meu próprio umbigo) adoro perceber esses cuidados. Adoro perceber que fui lembrada enquanto estávamos longe e isso veio na forma de uma flor, uma mensagem bonitinha no celular ou outro presentinho de valor econômico quase nenhum, mas com um significado implícito enorme.

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4 comentários (+add yours?)

  1. Alice
    Fev 19, 2011 @ 16:10:42

    Texto suuper bem escrito, concordo com cada palavra. São essas pequenas diferenças entre um sujeito e outro que arrebatam uma mulher. A massa masculina faz tudo igual… homens práticos, aí vem um camarada que faz uma pequena diferença, e pronto!!
    O diferente me pegou… e ele é o máximo!!

    Responder

  2. Escorpiana-PB
    Abr 03, 2011 @ 18:26:34

    Será que vc vai nos deixar de vez?? Torcida a postos para o “não”. Mas fase é fase. Até a volta. Bjs!

    Responder

  3. ryque
    Abr 05, 2011 @ 08:24:49

    Nossa blogueira está apaixonada (vide posts anteriores)… temia que a gente fosse perdê-la…rs…

    Responder

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