Embriaguês leve

O que mais sinto saudades na metrópole é do anonimato. É da quase certeza de que não vou encontrar a recepcionista do motel – diga-se de passagem, o único da cidade – na feira, quando estiver com o namorado, na semana seguinte.

Como já disse em outras ocasiões, é até fácil ter um relacionamento aberto, difícil é bancar isso socialmente, sem expor quem você ama, sem ficar mal falada e jamais conseguir outro partido bacana num raio de 50 quilômetros, caso algum dia termine o namoro em andamento.

Lembro do cara do último post, do sorriso tão difícil de arrancar e penso no que estará fazendo agora. Na última conversa disse não ter, por ora, internet ou TV. O que eu faria na sexta à noite sem internet ou TV, especialmente depois de escurecer, quando o jardim ou a horta já não seriam praticáveis? Estaria cozinhando? Recebendo amigos em casa? Saído para encontrar alguém? Lendo? Estudando? Conversando? Trepando?

Estou em casa sozinha, escutando a máquina de lavar em sua labuta, degustando queijos incrivelmente gostosos com cervejas à altura, e assistindo uma reportagem sobre a Carne, desde a aquela objeto de consumo (seja pela alimentação, exploração sexual ou escravagista) até a minha própria, feminina, cujo desfrute pela mulher sofre censura histórica.

Por conta dessa impossibilidade de anonimato (mesmo que totalmente imaginário), da censura sobre o usufruto da minha carne e da absurda cultura do dedurismo e diz-que-disse que vivo por aqui, senti uma vontade tão grande de ler Foucault! Como não tenho nenhum livro dele, vou sair de casa e praticar o que gosto quase tanto quanto sexo bem feito e posso fazer em público, sem condenações.

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3 comentários (+add yours?)

  1. baco669
    Fev 24, 2013 @ 10:27:14

    Cervejas e queijos?? Taí uma boa sugestão de proposta… rsrs
    Aí poderia aproveitar e te levar a “História da Loucura”, do Foucault… rs
    Beijo.

    Responder

  2. Baco
    Fev 26, 2013 @ 00:57:11

    Poxa, não tive a intenção de copiar a sua ideia… Apenas aproveitar-me da deixa dada e abrindo à possibilidade de desdobramentos facilitados pela combinação conversa, descobertas e bebidas…
    Mas se for para dar um ar de novidade, podemos substituir as cervejas pelo vinho. Ajuda no tom mais intimista… 😉 rs

    Responder

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