Primeiro de Abril

Fui à universidade resolver umas pendências de desde a mudança. Ao passar pelas janelas da biblioteca rezei baixinho e fervorosamente para o Santo Acaso, o de minha maior devoção, depois de São Longuinho, aquele das coisas perdidas.

Nada dentro da biblioteca, fui até a secretaria pros assuntos burocráticos. Entre a fila e a atrapalhação do funcionário gastei mais de meia hora. Na volta, uma meia dúzia de conhecidos, um tanto de conversa fiada e outra passada pela biblioteca para dar mais uma chance à coincidência.

E o tal Santo, se existe, atendeu as minhas preces! Numa das mesas, lá no cantinho, estava o Lindo, compenetrado, estudioso. Entrei e fui andando, pé ante pé, chegando pertinho. Ele, concentrado, só percebeu a presença de alguém quando tapei seus olhos suavemente com minhas mãos. Reagiu com o susto óbvio das circunstâncias como aquela, mas pelo local onde estávamos, as manifestações deveriam ser comedidas.

– Quem é? – perguntou sussurrando, depois de apalpar minhas mãos.

Continuei na mesma posição.

– Não sei mesmo – no mesmo tom de voz.

Reclinei meu corpo de modo que ele pudesse sentir meu cheiro.

– Eu conheço esse perfume, mas não pode ser – deixou escapar – Quem é?

– Uma mentira de primeiro de abril – respondi no ouvido dele. Ele virou o rosto e abriu um sorriso instantâneo quando deu de cara comigo. Perplexo, sem acreditar que não era mesmo mentira, fixava em mim os olhos brilhantes.

Nos abraçamos e puxei-o pela mão até o lado de fora… A partir daí, a incrível química que sempre rolou entre nós começou a exercer seu papel. Em questão de segundos nos agarrávamos… fomos para o carro e a brincadeira tornou-se ainda íntima. Abriu o zíper da calça, viu a calcinha pequena, fez cara de sacana. A mão passeava pelo meu corpo com a pegada incrível que só ele tem. Num piscar de olhos eu o chupava, no carro mesmo… Chegar às vias de fato demorou o tempo necessário para estarmos entre quatro paredes.

Quanto tesão entre a gente! Tesão que nunca mais tinha sentido por outra pessoa, desde que ficamos pela primeira vez… O encontro acabou numa gargalhada gostosa, como acabam as boas mentiras do dia.

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