ô paciência!

De repente você se pega fazendo um puta esforço para não ligar, entrando num joguinho e pensando que se alguém tiver que correr atrás de alguém é ele de você… ai, que coisa horrorosa!

Os começos das relações são tão gostosos, mas essa fase de não conhecer bem o outro, de não saber onde está pisando, ai… dá uma preguiça! Poderia pular né?!

Depois de adulta, fiquei tão autoconfiante, tão segura, tão me achando o máximo… ó a modéstia! mas no caso de agora é tudo tão incerto, parece tão difícil, tão irreal, que eu pareço uma adolescente…

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Ele tem um olhar que me desmonta, desconcentra, excita. Desde os primeiros encontros nos devoramos assim, com os olhos.

Desde o início, me coloquei numa posição vulnerável e até desconfortável, confesso. Embora seja bastante segura quando o assunto é sedução, me intimidava o fato de ser bem mais velho que eu, profissionalmente muito valorizado, muito experiente, muito importante, cheio de atribuições. Ele nunca deixou nada claro, nunca!

O primeiro contato físico demorou a acontecer e se deu de uma forma tão inusitada, que só depois consegui entender a intencionalidade, em vistas da sutileza e cautela com que ele o provocou. Até o encontro a sós passaram-se meses. No primeiro, os assuntos giraram basicamente em torno do trabalho.

Eu quem disse tudo, sem que perguntasse, ao final do encontro e neste momento aconteceu a virada… De repente, aquele homem todo se mostrou apaixonado de uma maneira muito adolescente…

Meu dia seguinte amanheceu com uma mensagem de “bom dia”. Ligações e e-mails nos dias consecutivos, outro encontro.

Primeiro, uma entrega, um cuidado… Depois, o estranhamento com o corpo, nem beleza, nem feiura, só estranhamento com aquela maturidade inédita. Então a languidez! Os toques dos dedos, os arrepios, as mordiscadas, os elogios, os sussurros, pelos, pele, odores.

No entanto, os olhos permaneciam quase o tempo todo fechados. Finalmente se enfiou entre as minhas pernas e sentei em sua boca. Nenhum olhar! Nada. A certa altura, meteu seus dedos entre meus lábios, abriu os olhos de desafio, lembrei-me do quanto imaginei aquela cena acontecendo, gozei instantaneamente.

O que responder?

É um estrategista escolado na arte da sedução… Veio lentamente pelas beiradas, me cercando sem deixar absolutamente nada explícito, na medida exata para me fazer curiosa.

O assunto que ensejou o convite é banal demais para precisar ir até sua casa para conversarmos: e ele sabe que eu sei disso! Portanto, responder “sim” a essa pergunta é deixar tudo às claras.

Ao mesmo tempo, a segunda pergunta, sugerindo um lugar público é expor-me demais e ele também sabe que não quero isso. Xeque-mate, babe! A única resposta possível é “Sim, porque morro de vontade de, vou dar pra você, e depois disso ficar pra sempre nas suas mãos!

Na verdade tem uma terceira resposta possível: “não” ser lacônica! Mas meu orgulho é burro e grande demais para me fazer entregar esse jogo tão longo e delicioso por W.O. Perdido já está, devo, pelo menos, comparecer para o prêmio de consolação!

De onde mesmo?

Sorriu e se aproximou de mim, simpático. Falou meu nome, tentei a todo custo lembrar o dele, em vão. O rosto não era desconhecido, mas tive que me esforçar para lembrar que tipo de relação tivéramos e de onde o conhecia.

Perguntou coisas que me fizeram recordar que cursamos algumas matérias juntos quando entramos na universidade, embora estudássemos em cursos diferentes. O fio da memória foi puxando as situações do passado: ele me paquerava naquele tempo, mas era todo esquisito e eu não dava a menor bola.

Agora estava diferente, tinha encorpado, estava mais comunicativo, menos tímido, mais altivo. Acho que pela primeira vez reparei nele. Achei o rapaz bem bonito.

Tinha começado a trabalhar numa grande empresa desde que se formou, viajava muito a trabalho. Por acaso, íamos para o mesmo lugar e sentamos lado a lado.

Uso um travesseiro de viagem um tanto quanto ridículo, resultado de uma urgência, que atrai olhares e no início me fazia chamar a atenção mais do que gostava… Hoje em dia já me acostumei e acho até divertido o tanto de gente que puxa assunto, só por causa dele.

Com o rapaz não foi diferente… Logo que embarcamos, tirei da mochila o tal travesseiro. O moço perguntou algo e fez uma piadinha. Justifiquei dizendo que comprara durante uma viagem longa, pois não queria correr o risco de acordar no ombro da pessoa que estava sentada do meu lado: um senhor que insistia em tentar me fazer jogar fora o livro do Jorge Amado e me converter a sua religião, uma dessas numerosas neopentecostais ultraconservadoras (ai, que preguiça!).

Ele riu alto e espontâneo e disse que o tal senhor evangélico seria um baita sortudo se eu me apoiasse nele para dormir. Sorri entre tímida e presunçosa. Passei a gastar todo meu charme, jogando pra cima do rapaz, até que o assunto acabou e ele me propôs não usar o travesseiro naquela viagem, mas seu próprio ombro.

Não fiz cerimônias e encostei-me a ele. Passou o braço em volta da minha cintura, forte, uma pegada M-A-R-A-V-I-L-H-O-S-A, me beijou com uma vontade que parecia guardada há 10 anos.

Nos pegamos a viagem inteira. No desembarque nos despedimos sem trocar telefone ou qualquer outro contato. Ainda não lembro seu nome!

Primeiro de Abril

Fui à universidade resolver umas pendências de desde a mudança. Ao passar pelas janelas da biblioteca rezei baixinho e fervorosamente para o Santo Acaso, o de minha maior devoção, depois de São Longuinho, aquele das coisas perdidas.

Nada dentro da biblioteca, fui até a secretaria pros assuntos burocráticos. Entre a fila e a atrapalhação do funcionário gastei mais de meia hora. Na volta, uma meia dúzia de conhecidos, um tanto de conversa fiada e outra passada pela biblioteca para dar mais uma chance à coincidência.

E o tal Santo, se existe, atendeu as minhas preces! Numa das mesas, lá no cantinho, estava o Lindo, compenetrado, estudioso. Entrei e fui andando, pé ante pé, chegando pertinho. Ele, concentrado, só percebeu a presença de alguém quando tapei seus olhos suavemente com minhas mãos. Reagiu com o susto óbvio das circunstâncias como aquela, mas pelo local onde estávamos, as manifestações deveriam ser comedidas.

– Quem é? – perguntou sussurrando, depois de apalpar minhas mãos.

Continuei na mesma posição.

– Não sei mesmo – no mesmo tom de voz.

Reclinei meu corpo de modo que ele pudesse sentir meu cheiro.

– Eu conheço esse perfume, mas não pode ser – deixou escapar – Quem é?

– Uma mentira de primeiro de abril – respondi no ouvido dele. Ele virou o rosto e abriu um sorriso instantâneo quando deu de cara comigo. Perplexo, sem acreditar que não era mesmo mentira, fixava em mim os olhos brilhantes.

Nos abraçamos e puxei-o pela mão até o lado de fora… A partir daí, a incrível química que sempre rolou entre nós começou a exercer seu papel. Em questão de segundos nos agarrávamos… fomos para o carro e a brincadeira tornou-se ainda íntima. Abriu o zíper da calça, viu a calcinha pequena, fez cara de sacana. A mão passeava pelo meu corpo com a pegada incrível que só ele tem. Num piscar de olhos eu o chupava, no carro mesmo… Chegar às vias de fato demorou o tempo necessário para estarmos entre quatro paredes.

Quanto tesão entre a gente! Tesão que nunca mais tinha sentido por outra pessoa, desde que ficamos pela primeira vez… O encontro acabou numa gargalhada gostosa, como acabam as boas mentiras do dia.

Sabia quem era profissionalmente, tínhamos nos encontrado pouquíssimas vezes, mas nunca nos falamos. Por acaso, trabalhamos juntos outro dia e passei a achar o cara interessantíssimo.

Sabe muito sobre o mundo, de forma nada arrogante, tem um jeito bonito de falar, pausado, paciente, grave, um delicioso sotaque. Nos olhos, quase sempre nebulosos, uma paixão linda, uma vontade, uma motivação naquilo que faz, um inconformismo e um senso crítico deslumbrantes.

Na ocasião, me perguntou, não sei se por acaso ou não, se morava no bairro X (onde estive passeando no dia anterior), disse que não, morava no Y. “Ah, eu morava no apartamento na frente do seu, agora mudei para X”, respondeu. Eu sabia que era meu vizinho – embora não soubesse que tinha se mudado, mas como nunca nos encontramos no prédio, no elevador, nem nas redondezas, jamais poderia imaginar que já tinha reparado em mim.

No caminho para casa, começamos a falar de assuntos mais pessoais: origens, gostos, hábitos. Já quase em casa falávamos sobre vinhos, mas a portaria chegou antes do convite para bebermos juntos uma garrafa.

Poucos dias depois, entrou na sala onde eu estava trabalhando e me ignorou solenemente. Se há algo que me incomoda, desafia, ao mesmo tempo em que seduz, é essa sensação de incerteza, de ver toda a minha pretensa segurança cair por terra. Dá uma vontade danada de batalhar e conquistar a pessoa!

Ficamos mais de uma semana sem nos encontrarmos, até que me chamou para uma reunião. A barriga gelou. Cheguei à sala, a secretária me olhou com desdém de cima a baixo, me anunciou, e eu entrei. Ele trazia no rosto uma barba milimetricamente desenhada, vestia jeans e uma camisa branca que contrastava com o moreno da pele, estava lindo!

Tratou comigo assuntos e-s-t-r-i-t-a-m-e-n-t-e profissionais, me olhando profundamente nos olhos. Não prestei atenção em mais de duas vírgulas, mas tentei disfarçar fazendo uma ou outra pergunta pronta, pra alongar o assunto. Enquanto isso, só conseguia imaginar aquele olhar partindo do meio das minhas pernas…

Que foda!!!

Há uma piadinha sórdida que conta que um avião caiu numa ilha deserta e sobreviveu apenas um casal. A moça era a Débora Nascimento (a Jennifer Conelly, a Juliana Paes, a Gisele Bündchen, ou qualquer outra gostosa que apeteça) e, depois de dias insistindo, o cara conseguiu convencê-la a trepar.
Ao final da transa, fumados os devidos cigarros, o cara pede para a moça vestir as roupas dele e dar uma volta na ilha. Achando estranho, ela atende ao pedido… Ele, pelado mesmo, também começa a volta, andando em direção oposta à qual ela escolheu.
Em certo ponto se encontram e ele exclama: “Cara, cê não sabe quem eu comi?!”. Moral da história… pouco vale comer a mulher mais gostosa do planeta, se ninguém ficar sabendo…

Vamos falar agora da ousadia desta que vos escreve, ou pouco valeria a ótima noite que tive dia desses…
O namorado, a certo ponto da relação, decidiu fechá-la: dor de corno, machismo, ciúmes e insegurança foram dos motivos que não nos permitiram continuar. Mas, como ele é lindo, gostoso e muito sagaz, percebeu que a mesmice também detonava o namoro: mal sentíamos tesão um pelo outro, as transas ficaram cada vez mais escassas e mecânicas, começamos  a nos desentender com frequência. Propôs então que tentássemos o mènage feminino (espertinho) ou, por insistência minha, o swing.
A primeira estratégia foi publicar perfil em sites eróticos, o que rendeu apenas um monte de homens tarados (eu gostei, ele não) e uns dois contatos com casais no msn. Nada muito concreto.
Sugeri uma casa de swing… Pelo menos veríamos a cara, antes da bunda ou pinto, e o encontro com outro casal não carregaria o pressuposto de sexo.
Insisti incessantemente,  passamos umas 2 vezes em frente à casa e hesitamos na porta, antes de  decidirmos entrar.
Pouparei dos relatos de como é a dita “balada liberal”. Pedimos um drink, observamos o movimento. A pista, o bar e as mesas estavam vazios. Alguns casais, poucos agradaram nós dois.
Sentamos um pouco e finalmente decidimos entrar no corredor onde o fluxo de casais era intenso. Paramos numa sala escura. Tentei acostumar os olhos… NADA. O namorado me agarrava, mas percebi que haviam muito mais de duas mãos sobre meu corpo. As apalpadas, extremamente suaves, eram bem excitantes, mas aquele monte de mãos, naquele escuro pertubador me trouxeram uma terrível sensação de pesadelo e quis sair correndo de lá.
Muita gente circulando pelo labirinto. Gritos, gemidos, barulhos. Em algumas das cabines uma pequena cortina era mantida aberta e uma legião de voyeurs (nós também, quando conseguíamos) se aglomerava na pequena gelosia, por onde era possível entrever o que acontecia lá dentro.
Na pista mulheres sexies se exibiam no balcão e nos muitos pole dances espalhados pelo recinto. No banheiro feminino, um aconchegante sofá.
A certa altura, na sala coletiva, uma loira gostosíssima sendo chupada. Paramos lá perto e fui ficando molhada… Alguns casais e muitos caras tentavam interagir com eles. Não queriam… Embora partilhado com o público o momento era só deles.
Inverteram a posição e ela começou a chupá-lo. Sentamos ao lado, pertinho, vista privilegiadíssima. Botei a mão do namorado por debaixo do vestido, afastou a calcinha de lado, me penetrou: “Tá molhadinha, né, safada?!”. Ficou me masturbando e tirei o peito para fora do vestido, pedi que me chupasse. Começou a chupar… o casal terminou e as atenções se voltaram pra nós. Um cara sentou na nossa frente, batendo punheta. O Amor não ficou a vontade, parou tudo e me tirou de lá. Fomos pra uma das cabines… MUITO tesão. Cortina fechada. Infelizmente
Trepamos deliciosamente, que saudades!
Fomos embora logo em seguida, eu morrendo de vontade de mais!
Espero voltarmos outras vezes, de modo mais solto, mais liberto, libertino.

mas a gente ainda nem tirou a roupa!

Me recebeu na porta. Vestia calça legging branca e uma bata larga de mangas compridas que infelizmente cobria seu corpo até metade das coxas. Nos pés uma meia de lã horrorosa. Era pequena, mignonnette, bem do jeito que gosto, os olhos de um verde lindo e os cabelos quase loiros, longos e cacheados. Quem se importa com meia de lã com todos estes atributos, não é mesmo?
Pediu que eu ficasse à vontade. Sentei. Veio logo pra perto de mim e começou a me pegar. As mãos pequenas, mas incrivelmente firmes, apertavam meu pescoço, costas, braços. Um langor delicioso foi tomando conta do meu corpo e me entreguei completamente àquela menininha, queria que durasse eternamente.
Me apertava cada vez mais forte e eu sentia cada vez mais prazer naquilo. Soltei uns gemidos baixinhos. Cansada, respiração ofegante, foi diminuindo o ritmo aos poucos e acabou por alisar as partes que antes tinha apertado. Parou e sussurrou quase inaudível: “Prontinho!”.
Levantei o rosto e dei de cara com um sorriso sapeca. Saí da cadeira: acabavam ali meus quinze minutos de massagem!

-x-

Na mesma ocasião percebi as dificuldades em identificar a orientação sexual de uma massagista, especialmente se for o primeiro encontro e se ela for feminina. Explico. Os signos lésbicos em mulheres femininas estão normalmente nas mãos… Unhas curtas e bem feitas, ausência de anéis ou no máximo um anel no dedão, (se ela for resolvida, estiver em época de parada do orgulho LGBTT e você contar com a providência divina) pulseira de arco-íris. Além disso, como na dança do acasalamento em geral, contatos físicos são generosas demonstrações de interesse.
Numa massagista, no entanto, todos esses sinais são obrigatórios e premissas da profissão… Então, minha gente, para saber se a moça tá te apertando só por profissão ou se há outros interesses envolvidos, é necessário ter mais felling, sorte ou cara de pau que eu.

biscate

Gente, não é esquecimento, não é paixão, não é nada além de falta de tempo minha ausência por aqui. Inventei de fazer outra faculdade… trabalhar o dia todo e estudar à noite, cinco dias por semana não é pra humanos! Ou sou fracote, não é possível.
Mas tem vantagens… um monte de gente nova na vida (tá certo que grande parte tem uns dez anos menos que eu) e eu fico me apaixonando platonicamente e/ou achando extremamente gostosa metade das meninas da minha turma (de 90 pessoas).
Tem uma, lésbica ou se faz para ficar ainda mais tentadora, que está tirando toda minha atenção. É meio moleque, mas tem uma delicadeza tão feminina… As unhas, pelo que pude reparar na distância mínima de 3 metros que já cheguei dela, são curtas (essa é uma forte evidência lésbica). Fora isso, usa um cabelo curto moicano e é o máximo de pistas que tenho sobre sua homossexualidade.
Faz o tipinho folgada-frágil, meio biscate, sempre tem um monte de caras rodeando, de quem se aproveita. Tem a voz fina, fala bonitinho, a pele branca, toda delicada, uns olhinhos puxados e vai com uns microshorts…. ai…. ai…. ai…. Às sextas, especialmente, vai para a balada depois da aula (na balada deve dançar daquele jeito “eu quero dar”), então capricha no modelito e na maquiagem e sempre chega atrasada por isso… Quando entra, me paralisa! Se eu tivesse um pinto, certeza que seria vergonhoso: fico pensando no que faria com ela se estivéssemos só as duas num lugar um tanto mais reservado que uma sala de aula com 90 pessoas. Vai metade da aula nisso!
Sinto um misto de desejo e raiva! Essa raiva é só porque ela me intimida o bastante para ser inalcançável, deriva do medo que eu tenho de chegar nela e ser A mais babaca. Aí eu fico bestando sozinha achando que a pegaria uma vez treparíamos insanamente e eu nem ligaria no dia seguinte, não atenderia os telefonemas dela e depois disso ela perderia metade de qualquer aula lembrando de nós, quando eu entrasse na sala.
O pior, como já disse nuns posts aí atrás, é que sou uma anta pra chegar em mulher… Fico imaginando N situações de abordagem, no assunto que chame outros e consiga manter a conversa até beijar a boquinha tão pequeninha e delicada que ela tem!
(pequeno parêntese) Quando entrei na faculdade na primeira vez, tinha uma garota de outro curso que fazia o mesmo tipo moleque-delicada. Sempre pensei numa maneira de abordá-la e, um dia, a vi na universidade bem longe de onde estudava, caminhando na direção que seria o destino, se estivesse indo pra aula. Mais que rapidamente, parei o carro e ofereci uma carona, ela recusou, fiquei super desapontada e desisti de outras investidas! Anos depois, estava ficando com uma garota que depois descobri ser amiga dela e que me segredou que a fulana que dispensou a carona A-D-O-R-A-V-A caminhar, era uma das coisas que ela mais prezava na vida, até acordava mais cedo para poder ir andando pra faculdade. Quer bola mais fora que oferecer carona para uma pessoa dessas? (fecha o parêntese)
Pois é, tá bem claro que vai lamber o chão pra quem, se esta história vingar! E essa raiva eu tenho de mim mesma: que porra é essa de ficar besta deste tanto por muié biscate?

Suspirosa

Passagem de ano em São Paulo, o feriado curto não animou gastar muitas horas na estrada para chegar a ou sair do litoral. Algumas opções de coisas a fazer, de baladas sexo-drogas-rock’n‘roll, jantar-ceia com um ou dois amigos e vinte outras pessoas desconhecidas a churrasquinho com os bons amigos de sempre.
Disposta a conhecer gente nova, os amigos eram os mesmos de pelo menos uma vez por semana, o baladão poderia ser pesado, muita chapação, demais pro meu espírito idoso, resolvi então ir numa das ceias, pelo menos um peguete garantido por lá.
Passei antes, de surpresa, na casa de um amigo, caso antigo, mas hoje só amigo. Fiquei um pouco, estava sozinho em casa, todo sedutor, acabado de sair do banho, falando num tom de voz baixo o bastante para precisar chegar mais perto para escutar. O convidei para vir comigo, meio sem saber se deveria mesmo, querendo evitar queimar o filme com o peguete ou com ele… Decidiu vir, depois de um charminho básico, e mais que rapidamente mudei o rumo, pro churrasco.
A noite foi extremamente agradável. Quando fomos embora, dei carona e o deixei em casa, querendo ficar. Dei o golpe do “preciso ir ao banheiro” para poder entrar, entrei, fui ao banheiro, saí. Perguntou se queria dormir, se fazendo preocupado. Eu queria, lógico, mas disse não para saber se o convite era só por educação. Não é do tipo que insiste, mas perguntou outra vez. Entrei no carro, meio sem saber se deveria, meio me fazendo difícil. Ficou no portão me olhando. Manobrei, estacionei, voltei.
Deitamos na mesma cama, conversamos por horas, vantagem da amizade. Foi se achegando devagar, acariciando, parando, num jogo de quer-não-quer delicioso. Beijamos e foi de uma suavidade incrível, não trepamos, sei lá por quê, e dormimos de conchinha. (simplesmente A-D-O-R-O dormir de conchinha)
Acordamos hoje com o celular tocando, cedo ainda para o horário que deitamos, mas o sono foi embora logo. Passamos o dia todo na cama, trepando, dormindo, acordando, ouvindo música, lendo, comendo, trepando, dormindo, ouvindo música, vendo filme, dormindo. Fazia tanto tempo que não passava um dia assim, sem fazer nada, toda encantada, beijinhos pra lá e pra cá, carinhos, essas delicinhas de namoro. E o melhor: totalmente finito e despretensioso, sem ansiedade por mais, mas sem deliberações de não acontecer de novo.

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