sinais…

você começa a perceber o quanto está a fim do/a coleguinha de trabalho quando se pega abrindo o e-mail corporativo em casa…

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Diagnóstico

Há alguns anos uma médica, tentando ser didática ao explicar o resultado de meus exames cardíacos, disse que os corações normais tem um “chefe” que dá ordens para que ele bata compassado.

O meu coração, no entanto, teria mais de um “chefe” e, às vezes, eles se desentendiam e acontecia o descompasso.

“Ah, poligamia crônica”, pensei.

– Mas tem problema, doutora?

– Não, não é grave… Mas também não tem remédio.

O tal amor livre no universo liberal

A moça do Café Feminista levanta pontos importantes sobre a dificuldade em praticar o amor livre. O texto usa como base de análise o patriarcalismo, o capitalismo e o sexismo e me levou a pensar nas relações não monogâmicas entre swingers.

No universo swinger, os encontros geralmente acontecem sobre supervisão masculina e, mais que objeto sexual, a mulher – hipersensualizada – é transformada em moeda de troca, ou em isca para outras mulheres, com o propósito principal de satisfazer os fetiches do homem. O mesmo cabe para os raros encontros nos quais a mulher participa sozinha, atendendo o fetiche masoquista de se saber traído.

Embora a sensualidade da mulher seja estimulada e valorizada, sua sexualidade ainda é fortemente controlada, por meio da afirmação de padrões – desde o de beleza até o da submissão e exposição femininas – do meio “baunilha”.

A problematização da monogamia fica no âmbito do individual e privado, abordando apenas a negociação e administração do ciúme, da possessividade e não a estrutura social que naturaliza a monogamia e a exclusividade. No discurso swinger o casamento continua a mesma instituição blindada, imune às relações extraconjugais extremamente superficiais desenvolvidas com outras pessoas. A traição, assim, é se relacionar livremente, sem o conhecimento – e participação – do outro, é se entregar, se permitir apaixonar.

Neste ponto, o adjetivo “liberal” utilizado para designar os casais que praticam a troca e os ambientes onde ela ocorre vem bem a calhar. Trata-se exatamente de liberalidade, de generosidade, de partilhar – atos típicos que efetuamos com as coisas – e não de liberdade.

Desse modo, essas relações, que aparentemente subvertem a ordem posta, mostram-se profundamente conservadoras, uma vez que ocorrem num universo catártico e não no mundo cotidiano, onde devem ser construídas as mudanças.

Não conta!

Contaram para ela um segredo, ela não o reproduziu. A mesma pessoa, sabendo que ela era confiável, propagou o tal “segredo” a quatro ventos.

Contaram outro, ela comprometeu-se com o silêncio e a situação se manteve assim por uns dias. No dia de todos saberem, o confidente a denunciou e a situação entre si e o grupo ficou péssima.

Contaram mais um, ela não firmou qualquer acordo, mas também não contou. Quando todos já sabiam, se passou por desinteressada e perdeu o emprego.

Descobriu algo sobre si que não gostaria de contar, ficou angustiada e ansiosa, mas manteve o bico calado. Quando já não dava para esconder, levou uma bronca por não ter contado antes.

Do quinto segredo queria fugir, não saber, preferia que não contassem… mas, distraída, num repente o recebeu…

Morreu em seguida, soterrada de segredos.

A temporada de turbulências na vida está longa este ano!

Brasil de ciborgues

Foto

O argumento, propagado entre alguns de meus contatos de rede social, é tão falacioso que poderíamos propor como solução para o/a indignado/a pai/mãe a redução da maioridade penal e a possibilidade de encarcerar o filhote, para que o direito à vacinação gratuita também fosse estendido ao rebento. Afinal, se é tão bom assim lá na cadeia, essa mordomia toda (às custas de nosso rico dinheirinho), devem querer o mesmo para o/a filho/a, certo?!

Em um dos comentários, uma professora reclamava por não ser incluída no grupo de risco. Ora, se ela tem contato com tantas pessoas diferentes, num ambiente relativamente confinado, como a sala de aula, está mais sujeita a ser contaminada pelos vírus da gripe, certo?

Como também são falaciosos os meus argumentos, vamos a alguns esclarecimentos:

a)      Em primeiro lugar, a vacinação gratuita foi AMPLIADA no “Brasil da Dilma” [será que no do Lula também, por extensão?]. No princípio, era direcionada APENAS a idosos. Não sei precisar datas, mas apenas muito recentemente (4, 5 anos?) foi estendida a outros grupos de risco, como crianças menores de dois anos de idade, gestantes, profissionais da saúde, portadores de doenças crônicas, etc.

Portanto, a mamãezinha que reclamou de não poder vacinar gratuitamente o filho pouco maior dois anos, provavelmente não agradeceu pela possibilidade de vacina-lo nos dois anos anteriores, gratuitamente, no mesmo “Brasil da Dilma”.

 b) O “grupo de risco” é escolhido em função de inúmeras pesquisas científicas a respeito do risco de MORRER de gripe, não de adoecer. Afinal, gripe mata quem nunca teve ou teve muito pouco contato com o vírus (indígenas, crianças menores de dois anos), quem tem ou está com o sistema imunológico debilitado (gestantes, lactantes, portadores de doenças crônicas, idosos) e a influenza poderia agravar o quadro e abrir portas para doenças mais graves, ou pessoas expostas a agentes patógenos com frequência, pelo mesmo motivo da debilidade devida à gripe facilitar o contágio por outras doenças ou agravamento das preexistentes (profissionais de saúde, “presidiários”).

Ou seja, grupo de risco para CONTÁGIO por gripe, embora poucos de nós morreremos disso, somos todos: a professora, os estudantes, os passageiros de transporte público,  os trabalhadores, os frequentadores de shows, igrejas, shoppings, baladas, o raio que for! Ou quem não faz nada disso mas tem contato com quem o faça, afinal, o tal do vírus é transmitido pelo ar.

 c)       Sobre as pessoas privadas de liberdade, cabem duas observações. A primeira diz respeito ao fato dessas pessoas estarem sob a custódia do Estado e o adoecimento poder custar mais caro aos nossos bolsos” cofres públicos que a própria vacina. O mais incrível e contraditório é que as mesmas pessoas que propagam essas fotinhos infames, defendem o encarceramento como solução para a violência, sabe aquele negócio de “bandido tem que estar na cadeia!”? A outra observação é que, caso a vacinação não fosse gratuita, aos encarcerados não é sequer facultado o pagamento pela vacina.

Assim, depreende-se que os presos devem morrer à míngua, já que estão no grupo com risco de morte por gripe e não são gente mesmo devem ser vacinados gratuitamente pelo Estado, nem obter a vacina de outro modo. Ou será que as “mulheres de bandido” além de esconder celulares na vagina e no ânus pra entrar na penitenciária, deveriam fazê-lo também com seringas e agulhas? Ou seria o caso de oferecer suborno aos agentes carcerários para poder ser vacinado?

Por fim, um desabafo: caralho, que alarde é esse por causa de gripe?! Afinal, não estamos falando de ebola, não é?! Tampouco estamos na idade média, suponho também que a grande maioria não é de índios que acabaram de fazer o primeiro contato com brancos. Se gripar, a gente se sente mal por uns dias, mas passa, vamo lá! Se nem de gripe se pode adoecer mais, tô começando a achar que vivo num país de ciborgues.

Tudo que tenho a dizer é: LIGUEEEEEIIIIIII!!!!

Me atendeu muito simpático, falamos rápido, contou algumas novidades, eu contei outras, fiquei sem assunto e encerrei a conversa. Agradeceu, empolgado, a lembrança e a ligação. Um beijo, outro, tchau, tchau.

Embora no calor da hora e na aceleração do coração não tenha conseguido usar o aprendizado das infinitas e aborrecedoras horas de cursos de “técnicas de venda” (ou coisa que os valha, com outro nome) que fui obrigada a fazer durante minha vida laboral, e terminado sem fechar um encontro próximo (sequer distante, pra ser sincera), valeu à pena!

Pelo menos ganhei um largo sorriso idiota na cara!

Embriaguês leve

O que mais sinto saudades na metrópole é do anonimato. É da quase certeza de que não vou encontrar a recepcionista do motel – diga-se de passagem, o único da cidade – na feira, quando estiver com o namorado, na semana seguinte.

Como já disse em outras ocasiões, é até fácil ter um relacionamento aberto, difícil é bancar isso socialmente, sem expor quem você ama, sem ficar mal falada e jamais conseguir outro partido bacana num raio de 50 quilômetros, caso algum dia termine o namoro em andamento.

Lembro do cara do último post, do sorriso tão difícil de arrancar e penso no que estará fazendo agora. Na última conversa disse não ter, por ora, internet ou TV. O que eu faria na sexta à noite sem internet ou TV, especialmente depois de escurecer, quando o jardim ou a horta já não seriam praticáveis? Estaria cozinhando? Recebendo amigos em casa? Saído para encontrar alguém? Lendo? Estudando? Conversando? Trepando?

Estou em casa sozinha, escutando a máquina de lavar em sua labuta, degustando queijos incrivelmente gostosos com cervejas à altura, e assistindo uma reportagem sobre a Carne, desde a aquela objeto de consumo (seja pela alimentação, exploração sexual ou escravagista) até a minha própria, feminina, cujo desfrute pela mulher sofre censura histórica.

Por conta dessa impossibilidade de anonimato (mesmo que totalmente imaginário), da censura sobre o usufruto da minha carne e da absurda cultura do dedurismo e diz-que-disse que vivo por aqui, senti uma vontade tão grande de ler Foucault! Como não tenho nenhum livro dele, vou sair de casa e praticar o que gosto quase tanto quanto sexo bem feito e posso fazer em público, sem condenações.