há males que vem para o bem

O cara te chama de linda, linda, linda, especial, inteligente, sedutora, blablabla, no primeiro encontro.

No segundo te conta a vida toda, faz declarações e planeja filhos.

No terceiro, andam de mãos dadas, se beijam em público e ele te pede em namoro.

No quarto, o pedido é de casamento, escolhe com você o nome dos filhos, pede ajuda para decorar a casa, faz perguntas sobre escolhas futuras, planeja férias junto contigo, sugere te levar para conhecer a mãe dele dali a uma semana e combina um passeio dali a duas semanas.

Entre os encontros vocês se falam pelo telefone todos os dias, ele ajeita modos de se encontrarem e viajarem juntos também a trabalho.

No quinto encontro, prepara para você um jantar romântico e, no meio, chega a nem tão ex e dá o maior barraco! Você levanta-se finíssima, pega o casaco, a carteira e o celular e sai andando, sem ter ideia de como vai conseguir chegar em casa àquela hora, tendo de andar meia hora no frio por ruas escuras e desertas e esperar por um ônibus que você nem sabe se ainda vai passar.

Logo que sai da casa escuta o barulho de pratos quebrando e gritos. Durante toda a caminhada vai pensando que uma hora o cara vai te alcançar com o carro e te levar em casa… e… nada!!!

No fim deu tudo certo, estou em casa sã, salva, quentinha e feliz por ter me livrado de um banana!

A única lástima é que esqueci lá meu cachecol favorito!

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Putz!

Aí a pessoa pensa que vai aprender inglês mais rápido com aulas particulares… Depois de um mês tá paquerando o professor, em PORTUGUÊS!!!

cidade pequena

depois de semanas paquerando o cara e achando que ele não queria nada comigo, finalmente me convidou para jantar, na sexta.

marquei funilaria e pintura no salão, comprei batom, perfume, lingerie e vestido novos, ansiosíssima.

na quarta cheguei ao supermercado e adivinhem? lá estava o bonitão! antes que eu pudesse me esconder disfarçar meu cabelo bagunçado e minhas roupas largas, veio em minha direção…

puxou papo, simpático, e tenho certeza que olhou para minhas unhas sujas e sentiu meu cheirinho de dia inteiro trabalhando, mesmo assim me convidou a sair dali e tomar um vinho com ele.

lembrei da depilação marcada pro dia seguinte, da calcinha com elástico frouxo, do chinelo no meu pé:

– nos vemos na sexta! – piscadinha batuta.

devolveu a piscadinha e nos despedimos.

Garimpo

Sabe quando a gente tá de bobeira em casa, com o computador ligado e de repente um banner numa página te dá uma ideia de jerico? Resultado: lá fui eu fazer um perfil num site de relacionamento!

Nick, sexo, altura, idade, tipo físico, hábitos, fumante ou não, o que busca, formação, profissão, salário, foto… Peraí, foto não! Quer dizer, ainda não! Moro numa cidade pequena, vai que encontro alguém conhecido (e pior que encontrei mesmo)

Comecei a navegar pelos perfis… Que experiência incrível! Entre os “gostos”, o futebol é quase unanimidade! Há aqueles que gostam de “escultar” música, se admitem fãs da Rihana, adoram Pânico, BBB e “sair na noitada”, às vezes, “todos os dias”.

Muitos procuram mulheres “inteligenti”, são “onesto”, gostam de ficar com a “familha” e têm com “obigetivo mehora senpre navida”. Há quem se considera único porque a mãe soube criá-lo muito bem.

Tem gente que diz buscar um amor sincero, embora seja muito ocupado com trabalho e filhos. Há os declaradamente malandros! Alguns possuem (admitem e acham super legal!) aves como animais de estimação (Gente, vamo combinar que esse negócio de ave presa é uó, né não?). Outros buscam mulheres “mal amadas e carentes”, “uma pessoa em marte (sic)”, “mulheres calientes”.

Comecei a escolher pelas fotos: de cara, um rapaz com duas loiras a tiracolo. Moço, se você está em busca de um namoro sério, como descreve, não dá pra se apresentar como garanhão! Inúmeros perfis mostravam o pretendente na balada, copinho ou latinha na mão.

Na página pessoal, é possível declarar como seria o primeiro encontro ideal. Alguns, gostariam de ter “um encontro bem formal” (Será que o traje obrigatório é social completo? Devo ir de gravata?), outros prefeririam um lugar público, com bastante gente conversando, por exemplo um bar com música ao vivo (Realmente ideal pra quando a gente não tem muito conteúdo, não é mesmo?).

A pérola máxima ficou por conta de um rapaz novinho, bem bonito na foto, que idealmente teria o primeiro encontro “num motel, numa cama d’água, com uma loira linda e com seios grandes”. (olha a exposição precoce à pornografia interferindo na cognição da pessoa!)

Sabe quando você vai fazer um currículo e, por mais sincero que seja, não escreve que tira caquinha do nariz? Então por que vai queimar o filme desse jeito pra arrumar uma namorada?

Além disso, partindo do pressuposto que você está ali porque quer encontrar alguém e se relacionar, pelo menos escrever direitinho é desejável! Qualquer corretor ortográfico chinfrim daria conta dos crassos e ululantes erros de português que saltam aos olhos.

O mais infeliz da história é que imagino que os caras tentavam mostrar o melhor de si… daí fiquei pensando: porra, se isso é o que as pessoas mostram sobre si, pensem no que elas escondem…

Deu pra entender porque tinha tanto homem solteiro!

A pressa é madrinha do arrependimento!

Meus finais de semana, às vezes, incluem sair às pressas de casa e me dirigir a algum lugar sem saber direito o que irei encontrar lá…

Normalmente saio rápido, com a primeira roupa do armário e de cara lavada, mas hoje, como pensei na possibilidade de encontrar o gatão que venho falando nos últimos posts, me arrumei na medida do possível e de forma discreta. Ele apareceu mesmo! Chegou quando o trabalho já estava quase no fim e, de novo, mal me olhou, mas quando o fez foi diretamente nos olhos como tem sido nos últimos encontros.

Um dos caras que estavam conosco convidou-nos para almoçar. Aceitei, esperando que o gatão também aceitasse, mas dispensou o convite. Em retribuição à minha precipitação, ganhei de presente uma tarde toda como motorista da rodada, assistindo um mala sem alça virar um chope atrás do outro e falar de si, de um jeito pernóstico e arrogante.

A certa altura, pediu a conta. Não me lembro, mas devo ter suspirado aliviada. Não fez cerimônias quando me propus a dividi-la em duas partes iguais. Continuou falando pelos cotovelos e antes que eu conduzisse a conversa para a despedida, pediu outro chope!!!! Bebia devagar enquanto falava e quando a caneca ainda estava pela metade, pedia outra, embora não se desfizesse da que já tinha em mãos enquanto o líquido não acabasse.

Eu já estava irrequieta na cadeira, tamborilava na mesa, fazia dobraduras com o guardanapo, bocejava e respondia monossilábica à palestra do colega, mesmo assim, ainda entornou uns três canecos.

Quando finalmente fomos embora, surpresa: não bastasse eu pagar sozinha o estacionamento, o bonito perguntou se eu poderia deixá-lo na casa dele…

Viagem

Acomodei-me na poltrona, ele entrou logo em seguida. Sentou ao meu lado e pensei: “Ainda bem que é gatinho!”. Puxou papo logo, falando de viagens, assunto que particularmente adoro.

Esses dias, conversando com um amigo, lamentei: “queria tanto transar com outra pessoa, que não o Amor”, ele me respondeu com um simples “transa”. Uma pontada de excitação tomou conta do meu corpo ao lembrar disso naquela situação… Seria com um completo desconhecido?

O encantamento durou pouco: logo percebi que o cara era pura autopromoção… me cansei de ouvir tanto sobre ele, desejei boa noite e me ajeitei para cochilar. Perguntou, em tom de brincadeira, se eu queria um cafuné, achei forçado e respondi “não”, de forma nada amigável.

Despertei com uma carícia leve no rosto. (começa aqui a parte inverídica da história)
Sorri, demorei um pouco a abrir os olhos. Ele me encarava, se aproximou, e me beijou lenta e intensamente… Em pouco tempo já nos atracávamos indecorosamente.

Foi ao banheiro, combinamos que deixaria a porta destrancada, fui em seguida. O resto fica por conta da imaginação de cada um.
(retomo aqui a história real)
Me assustei com aquilo, devo ter acordado com os olhos arregalados. O cara continuou a carícia, não agi, mais por estar atônita do que por querer ser permissiva. Tentou me beijar, rejeitei. Que tipo de pessoa tenta agarrar alguém assim? Principalmente se esta pessoa é totalmente desconhecida e você trocou apenas meia dúzia de palavras com ela? E, essencialmente, se esta pessoa está dormindo e NÃO consentiu?

Felizmente (se pode haver algo de algo de feliz nesta história) não insistiu e não tocou mais em mim durante o resto da viagem. Eu senti medo e nojo, não consegui mais pregar os olhos, nem me mexer… rendeu-me uma dor nas costas incrível!